sábado, 1 de março de 2014

Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza

A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza».  (...) À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. (...) Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói. Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!
Da Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Unção dos Enfermos

O sacramento da Unção dos Enfermos fala da compaixão de Deus pelo homem no momento da doença e da velhice. A parábola do “bom samaritano” nos oferece uma imagem desse mistério. O bom samaritano cuida de um homem ferido, derramando sobre as suas feridas óleo e vinho, recordando o óleo dos enfermos. Em seguida, sem olhar a gastos, confia o homem ferido aos cuidados do dono de uma pensão: este representa a Igreja, a quem Jesus confia os atribulados no corpo ou no espírito. Também a Carta de S. Tiago recomenda que os doentes chamem os presbíteros, para que rezem por eles ungindo-os com o óleo. De fato, Jesus ensinou aos seus discípulos a mesma predileção que Ele tinha pelos doentes e atribulados, difundindo alívio e paz. Por isso, diante daqueles que consideram o sofrimento e a morte como um tabu, deixando de se beneficiar com esse sacramento, é preciso lembrar que, na unção dos enfermos, Jesus nos mostra que pertencemos a Ele e que nem a doença, nem a morte, poderá nos separar d’Ele.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

«uma fé que não dá fruto nas obras não é fé»

O Papa diz que conhecimento da doutrina cristã exige «reflexos concretos» na vida diária, pois “a fé que não dá fruto nas obras não é fé”.
Francisco afirmou que “o mundo está repleto de cristãos que recitam as palavras do Credo, mas não as colocam em prática ou de eruditos que catalogam a teologia numa série de possibilidades, sem que esta sabedoria tenha depois reflexos concretos na vida”. “A fé é um encontro com Jesus Cristo, com Deus, e dali nasce e leva ao testemunho, é isso que o Apóstolo S. Tiago quer dizer: uma fé sem obras, que não envolva, que não leve ao testemunho, não é fé. São palavras e nada mais que palavras”. Francisco lembrou que “é possível conhecer todos os mandamentos, todas as profecias, todas as verdades de fé, mas se isso não é colocado em prática, não acaba em obras, não serve”. “Ouvimos pessoas que dizem: ‘Mas eu tenho tanta fé’, ‘eu acredito em tudo …’. E talvez esta pessoa que diz isso tenha uma vida morna, frágil. A sua fé é como uma teoria, mas não está viva na sua vida”. Segundo o Papa, no Evangelho encontram-se dois sinais reveladores de quem “sabe no que deve acreditar, mas não tem fé”, sendo o primeiro sinal a “casuística”, representado por aqueles que “perguntavam a Jesus se era lícito pagar as taxas ou qual dos sete irmãos do marido se deveria casar com a mulher que ficou viúva”. O segundo sinal é a “ideologia”, ligado “aos cristãos que pensam a fé como um sistema de ideias, ideológico: existiam também no tempo de Jesus”.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Missa e atenção aos outros estão ligadas

O Papa Francisco questionou a atitude dos que vão à Missa, mas esquecem a exigência de ajudar os necessitados, pedindo “coerência” entre a liturgia e a vida das comunidades católicas. “Amamos, como Jesus quer que amemos, os irmãos e irmãs mais necessitados? Por exemplo, em Roma, nestes dias, vimos muitos problemas sociais, por causa da chuva que provocou tantos danos a bairros inteiros ou pela falta de trabalho, esta crise social em todo o mundo. Interrogo-me, que cada um de nós se interrogue: eu, que vou à Missa, como vivo isto?” Francisco chamou todos a “ajudar, aproximar-se, rezar” pelos que têm este problema em vez de ficar “indiferente”. “Ou talvez me preocupe em maldizer: ‘Viste como ia vestida aquela, como estava vestido aquele’? Às vezes faz-se isto, não, depois da Missa. Ou não? Faz-se e isso não se deve fazer: temos de preocupar-nos com os nossos irmãos e irmãs que têm uma necessidade, uma doença, um problema”. O Papa convidou a estar perto de todos os que vivem “problemas”, por causa da “tragédia das chuvas”, e “problemas sociais, de trabalho”. “Peçamos a Jesus, a este Jesus que recebemos na Eucaristia, que nos ajude a ajudá-los”. “Como vivemos a Eucaristia, o que é para nós? É só um momento de festa, uma tradição consolidada, uma ocasião de encontro, de sentir-se integrado, ou é algo mais?” Francisco defendeu que na Missa, onde se encontram “jovens, crianças, idosos, pobres e pessoas com bem-estar”, todos se devem “sentir irmãos e irmãs”. “Temos de estar atentos: uma celebração pode ficar impecável, do ponto de vista exterior, mas se não conduzir ao encontro com Jesus, arrisca-se a não oferecer nenhum alimento ao nosso coração e à nossa vida”. A Eucaristia, sustentou, deve levar todos os católicos ao encontro dos “pobres, dos doentes, dos marginalizados”. “É preciso ter sempre presente que a Eucaristia não é algo que nós fazemos; não é uma comemoração nossa do Jesus disse e fez, não. É uma ação de Cristo”. “De coração, desejo a quantos participam da Eucaristia nos domingos, de a viverem com espírito de fé e de oração, sabendo que quem come a carne de Jesus tem a vida eterna e será ressuscitado por Ele no último dia.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O XXII DIA MUNDIAL DO DOENTE 2014



Fé e caridade: «Também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3, 16)

Amados irmãos e irmãs!


1. Por ocasião do XXII Dia Mundial do Doente, que este ano tem como tema Fé e caridade: também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3, 16), dirijo-me de mod

o particular às pessoas doentes e a quantos lhes prestam assistência e cura. A Igreja reconhece em vós, queridos doentes, uma presença especial de Cristo sofredor. É assim: ao lado, aliás, dentro do nosso sofrimento está o de Jesus, que carrega connosco o seu peso e revela o seu sentido. Quando o Filho de Deus subiu à cruz destruiu a solidão do sofrimento e iluminou a sua escuridão. Desta forma somos postos diante do mistério do amor de Deus por nós, que nos infunde esperança e coragem: esperança, porque no desígnio de amor de Deus também a noite do sofrimento se abre à luz pascal; e coragem, para enfrentar qualquer adversidade em sua companhia, unidos a Ele.